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Documento técnico independente

Priorização de Fiscalização por Seção Eleitoral — Eleições Presidenciais Brasileiras 2026 (1º turno)

Onde a presença de fiscais tende a fazer mais diferença

Trabalho prospectivo e preventivo — não é evidência nem acusação de irregularidade.

1. O que é este material

Quais seções eleitorais merecem mais atenção da fiscalização — e por quê? A partir de dados públicos do TSE, este trabalho descreve dez cenários de vulnerabilidade e mostra, com exemplos reais comentados, como cada sinal aparece nas seções e quão comum ele é no país. São pontos de atenção para orientar a fiscalização, não evidências de irregularidade.

Este trabalho tem o objetivo de contribuir para o aprimoramento do sistema eleitoral brasileiro, para que a vontade da população seja sempre respeitada. Eleições limpas, com apuração confiável, são um dos pilares da democracia. O material é oferecido a partidos, autoridades eleitorais e cidadãos com a intenção de somar e colaborar, nunca de acusar.

Cada seção eleitoral recebeu uma nota de prioridade de 0 a 100. Uma nota alta indica uma seção vulnerável no sentido estrutural e operacional — por exemplo, pequena, isolada, com menos biometria ou com sinais operacionais no registro (log) da urna. São os lugares onde a presença de um fiscal tende a render mais. Isso não é acusação de irregularidade: a nota não usa candidato, partido nem resultado de votação, e seria a mesma qualquer que fosse o resultado.

Base: o trabalho usa exclusivamente informações públicas do TSE referentes ao 1º turno das Eleições Presidenciais Brasileiras de 2026 (4 de outubro de 2026): boletins de urna, logs das urnas, cadastro de locais de votação e perfil do eleitorado por seção.

Essas seções não são um detalhe: juntas, elas concentram cerca de 18% dos votos do país. Daí a importância de orientar a fiscalização para onde ela faz mais diferença.

499.206seções eleitorais avaliadas
28estados com PDF e CSV próprios (27 UFs + exterior)
~18%dos votos do país nas seções prioritárias

Relatório (PDF)

O documento completo: motivação, metodologia, mapa-panorama das seções prioritárias, exemplos comentados de anomalias, as 10 seções prioritárias de cada estado, arquivos para download e assinaturas. É baixado no idioma escolhido nesta página.

PDF · 31 páginas · 771 KB · em português
Baixar relatório 4975774d71cf5aa6271e1f3382b36ed23df33533b0b0e228c92b35d35173b960

Guia de Fiscalização (PDF)

Orientação prática ao fiscal: quantos, quando, onde e como fiscalizar, o que pode e o que não pode, e o que fazer em cada situação. Complementar ao relatório e apartidário.

PDF · 10 páginas · 19 KB · em português
Baixar guia a3396307b6b83ad8542d636957ae76b17f2ed030c239978f4bddde7cd73cf632

Em destaque

Dois dos catorze exemplos reais comentados na seção 3. Cada um traz quantas seções do país compartilham a mesma característica.

Exemplo 14 — Vários sinais ao mesmo tempo (a maior nota do país)

MT · CONFRESA · zona 0028 · seção 0158 · local 1120 - ESCOLA ESTADUAL TAPI'ITAWA · 133 eleitores aptos · nota 90,74 (ALTO; 1ª no estado)

No país: 12.253 seções nesta situação · critério: 3 ou mais indicadores, ao mesmo tempo, entre os 5% mais altos (percentil ≥ 95)

Exemplo 1 — Habilitação sem biometria acima dos pares (B1)

ES · LINHARES · zona 0025 · seção 0557 · local 2666 - EEEFM MANOEL SALUSTIANO DE SOUZA · 328 eleitores aptos · nota 80,08 (ALTO; 7ª no estado)

No país: 6.672 seções nesta situação · critério: mais de 40% dos eleitores habilitados sem biometria

Ver todos os exemplos →

Uso responsável

Recomenda-se divulgar publicamente os números agregados (por município ou estado). A lista detalhada por seção deve circular sempre acompanhada desta metodologia e de suas limitações, descritas no relatório. Uma nota alta indica apenas onde a fiscalização tende a render mais; não indica que algo de errado aconteceu na seção.

2. Cenários de vulnerabilidade

A nota combina dez indicadores, cada um comparado com seções parecidas do mesmo estado. Os estruturais (A) descrevem a seção e o local de votação; os operacionais (B) vêm do registro (log) da própria urna no dia da votação. São esses os rótulos usados na coluna “Cenário(s) predominante(s)” dos PDFs por estado.

3. Anomalias e indicadores — exemplos

Para que qualquer pessoa entenda a lógica da nota — e para evitar especulações e interpretações equivocadas — selecionamos casos reais, um por tipo de indicador, e os comparamos com a mediana dos pares (seções da mesma UF ou, nos indicadores do log e na abstenção, da mesma UF e porte). Os casos saíram de regras fixas, de preferência entre as seções já publicadas no top-10 de cada estado.

Só são citados o identificador público da seção e indicadores agregados, derivados de arquivos públicos do TSE. Nenhum dado pessoal de eleitor ou mesário.

Anomalia não é fraude nem irregularidade. É apenas um valor que se afasta do padrão das seções parecidas, quase sempre com explicação legítima. Serve para mostrar onde a fiscalização tende a render mais — nunca para apontar culpados nem para tratar mesários ou eleitores como suspeitos.

Exemplo 1 — Habilitação sem biometria acima dos pares (B1)

ES · LINHARES · zona 0025 · seção 0557 · local 2666 - EEEFM MANOEL SALUSTIANO DE SOUZA · 328 eleitores aptos · nota 80,08 (ALTO; 7ª no estado)

  • habilitados sem biometria (log): 71,4% · Mediana dos pares: 28,1% (mesma UF e porte)
  • liberados pelo mesário após falha da digital: 5,3% · Mediana dos pares: 2,6% (mesma UF e porte)

No país: 6.672 seções nesta situação · critério: mais de 40% dos eleitores habilitados sem biometria

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: quando a digital não é usada, a identificação do eleitor depende só da conferência do documento pelo mesário. Nesta seção isso ocorreu com 71,4% dos eleitores habilitados, contra 28,1% nas seções da mesma UF e porte. B1 é o indicador de maior peso porque é o sinal mais direto de identificação não conferida pela urna.

Causas legítimas possíveis: eleitores sem biometria cadastrada, falha do leitor biométrico, digitais desgastadas (comum entre idosos e trabalhadores rurais) ou orientação de agilizar a fila.

Exemplo 2 — Liberação pelo mesário após falha da digital (B1)

PR · GUARAPUAVA · zona 0043 · seção 0379 · local 1643 - CENTRO COMUNITÁRIO CAMPINA BONITA · 141 eleitores aptos · nota 87,30 (ALTO; 4ª no estado)

  • liberados pelo mesário após falha da digital: 28,9% · Mediana dos pares: 5,9% (mesma UF e porte)
  • habilitados sem biometria (log): 29,8% · Mediana dos pares: 9,5% (mesma UF e porte)

No país: 5.682 seções nesta situação · critério: mais de 15% dos eleitores liberados pelo mesário

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: nesta seção, 28,9% dos eleitores habilitados (35 de 121) foram liberados pelo mesário depois que a digital não foi reconhecida, contra 5,9% nos pares. É legítimo e previsto em lei, mas é o momento em que a conferência do documento pelo mesário — e a presença de fiscais — mais importa.

Causas legítimas possíveis: leitor biométrico com defeito ou sujo, digitais gastas, mãos molhadas ou frias, cadastro biométrico antigo.

Exemplo 3 — Pico de votos em 10 minutos (B2)

RS · SANT'ANA DO LIVRAMENTO · zona 0030 · seção 0214 · local 1619 - PENITENCIÁRIA ESTADUAL DE SANTANA DO LIVRAMENTO · 23 eleitores aptos · nota 88,43 (ALTO; 1ª no estado)

  • pico de 10 min ÷ média da própria seção: 9,4× · Mediana dos pares: 2,3× (mesma UF e porte)
  • maior nº de votos em 10 min: 5 · Mediana dos pares: 7 (mesma UF e porte)
  • eleitores aptos: 23 · Mediana dos pares: 325 (mesma UF)

No país: 6.007 seções nesta situação · critério: pico de votos em 10 minutos acima de 3 vezes a média da seção

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: o maior bloco de 10 minutos teve 5 votos, 9,4 vezes a média de 10 minutos da própria seção (pares: 2,3 vezes). Um pico forte significa muitos votos em pouco tempo — situação em que é mais difícil acompanhar cada identificação.

Causas legítimas possíveis: esta é uma seção especial para presos provisórios, com 23 eleitores aptos: é normal que os eleitores sejam conduzidos à urna em grupos, o que concentra os votos em poucos minutos. O exemplo mostra por que o indicador precisa ser lido com o contexto local.

Exemplo 4 — Votos em sequência muito rápida (B2)

SP · CAMPINAS · zona 0033 · seção 0238 · local 1015 - USF - UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO · 343 eleitores aptos · nota 66,39 (ALTO; 3.344ª no estado)

  • intervalos de até 30 s entre votos: 3,8% · Mediana dos pares: 0,00% (mesma UF e porte)
  • pico de 10 min ÷ média da própria seção: 2,2× · Mediana dos pares: 1,8× (mesma UF e porte)

No país: 2.227 seções nesta situação · critério: ao menos um intervalo de até 30 segundos entre votos consecutivos

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: em 3,8% dos intervalos entre votos consecutivos (11 de 287) o voto seguinte foi registrado em até 30 segundos, quando a mediana dos pares é 0,00%. É um evento raro: no país, só 0,45% das seções tiveram algum intervalo assim. Este caso vem da faixa ALTO (posição 3.344 no estado), não do top-10.

Causas legítimas possíveis: eleitores rápidos e já decididos em sequência, várias cabines e fila organizada, ou o relógio da urna registrando dois votos muito próximos.

Exemplo 5 — Votos fora da janela oficial no relógio da urna (B3)

AM · TABATINGA · zona 0036 · seção 0098 · local 1279 - E. M. INDÍGENA AICUNA I · 345 eleitores aptos · nota 83,20 (ALTO; 5ª no estado)

  • votos fora da janela oficial (relógio da urna): 44,0% · Mediana dos pares: 1,7% (mesma UF e porte)

No país: 50.385 seções nesta situação · critério: 10% ou mais dos votos fora da janela de votação, pelo relógio da urna

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: 44,0% dos votos foram registrados fora da janela oficial de 9 horas calculada para a UF, contra 1,7% nos pares. No relógio interno da urna, o primeiro voto aparece às 06h12 e o último às 20h48. O log, sozinho, não permite saber a causa — e é exatamente por isso que a seção sobe na prioridade: o fiscal presente confere e registra os horários reais de abertura e encerramento na ata.

Causas legítimas possíveis: parte do Amazonas (região oeste, onde fica este município) segue o fuso horário do Acre, uma hora antes de Manaus, o que explica votos a partir das 6h; fila no encerramento; relógio interno da urna desajustado. Nenhuma dessas hipóteses foi confirmada nem descartada a partir dos dados.

Exemplo 6 — Intervenções administrativas no log (B4)

MA · SANTO AMARO DO MARANHÃO · zona 0032 · seção 0129 · local 1180 - ESCOLA MUNICIPAL DOMINGOS TEIXEIRA DE FREITAS · 124 eleitores aptos · nota 81,90 (ALTO; 10ª no estado)

  • intervenções administrativas por 100 habilitados: 58,7 · Mediana dos pares: 2,0 (mesma UF e porte)

No país: 4.303 seções nesta situação · critério: mais de 10 intervenções administrativas por 100 eleitores habilitados

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: o log registrou 58,7 intervenções administrativas por 100 eleitores habilitados, contra 2,0 nos pares. A maior parte foi do tipo "habilitação cancelada" (53 ocorrências em 104 habilitações). "Habilitação cancelada" quer dizer que o mesário liberou o eleitor na urna e depois cancelou a liberação antes do voto. Muitas intervenções significam muitos momentos de manuseio manual da urna, que um fiscal pode acompanhar.

Causas legítimas possíveis: erro de digitação do título e nova tentativa, eleitor encaminhado à seção errada, eleitor que desistiu, inexperiência ou dúvida do mesário com o equipamento.

Exemplo 7 — Seção muito pequena (A1)

SP · IARAS · zona 0205 · seção 0075 · local 1074 - CASA TRES RIOS IARAS · 21 eleitores aptos · nota 86,35 (ALTO; 6ª no estado)

  • eleitores aptos: 21 · Mediana dos pares: 339 (mesma UF)
  • abstenção: 9,5% · Mediana dos pares: 21,6% (mesma UF e porte)

No país: 256 seções nesta situação · critério: menos de 50 eleitores aptos

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: esta seção tem 21 eleitores aptos, contra uma mediana de 339 nas seções do estado. Em seções pequenas, poucos votos mudam bastante a proporção, e há menos pessoas (mesários e fiscais) acompanhando.

Causas legítimas possíveis: trata-se de uma seção especial para presos provisórios, que por natureza reúne poucos eleitores. Seções em comunidades rurais, aldeias ou ilhas também costumam ser pequenas.

Exemplo 8 — Seção única no local de votação (A2)

SC · APIÚNA · zona 0015 · seção 0087 · local 1155 - ESCOLA BÁSICA PROFESSORA ALBERTINA KREUSCH CAPRALE · 97 eleitores aptos · nota 89,89 (ALTO; 1ª no estado)

  • seções no mesmo local de votação: 1 · Mediana dos pares: 9 (mesma UF)
  • eleitores aptos: 97 · Mediana dos pares: 348 (mesma UF)

No país: 21.770 seções nesta situação · critério: única seção no local de votação

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: esta é a única seção do seu local de votação (a mediana no estado é de 9 seções por local). Sem outras seções por perto, não há mesários nem fiscais de outras mesas no mesmo prédio — tudo depende da própria mesa. Também é a 2ª maior nota do país.

Causas legítimas possíveis: escola ou centro comunitário que atende uma localidade pequena; é a forma normal de levar a urna para perto do eleitor.

Exemplo 9 — Isolamento geográfico (A3)

AM · ITAMARATI · zona 0069 · seção 0018 · local 1090 - E. M. TAVEIRA LEITE · 85 eleitores aptos · nota 83,38 (ALTO; 4ª no estado)

  • distância ao local de votação mais próximo: 77,6 km · Mediana dos pares: 0,34 km (mesma UF)
  • distância ao centro do município: 78,0 km · Mediana dos pares: 5,24 km (mesma UF)
  • eleitores aptos: 85 · Mediana dos pares: 361 (mesma UF)

No país: 8.008 seções nesta situação · critério: mais de 10 km até o local de votação mais próximo

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: o local de votação mais próximo fica a 77,6 km em linha reta (a mediana no estado é 0,34 km). Locais distantes recebem menos fiscais, e a logística de ida e volta da urna é mais longa.

Causas legítimas possíveis: municípios de grande extensão e com acesso por rio, como na Amazônia; a distância em linha reta pode até subestimar o tempo real de deslocamento.

Exemplo 10 — Cadastro biométrico baixo (A4)

ES · SANTA MARIA DE JETIBÁ · zona 0009 · seção 0101 · local 1279 - EP FAZENDA ARTHUR PLASTER · 334 eleitores aptos · nota 73,11 (ALTO; 75ª no estado)

  • eleitores sem biometria no cadastro: 91,9% · Mediana dos pares: 9,9% (mesma UF)
  • habilitados sem biometria (log): 82,2% · Mediana dos pares: 28,1% (mesma UF e porte)

No país: 4.801 seções nesta situação · critério: mais de 50% do eleitorado sem biometria cadastrada

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: 91,9% dos eleitores desta seção não têm biometria cadastrada, contra 9,9% na mediana do estado. Sem biometria, a identificação depende mais da conferência manual do documento. Este caso vem da faixa ALTO (posição 75 no estado), não do top-10.

Causas legítimas possíveis: revisão biométrica ainda não concluída no município ou na região, eleitores que não compareceram ao recadastramento, área rural com acesso difícil ao cartório.

Exemplo 11 — Urna não original (A5)

MA · SÃO DOMINGOS DO MARANHÃO · zona 0060 · seção 0044 · local 1171 - UNIDADE ESCOLAR DUQUE DE CAXIAS · 298 eleitores aptos · nota 83,93 (ALTO; 3ª no estado)

  • urna usada: urna de reserva · Mediana dos pares: 0,7% das seções da UF (mesma UF)

No país: 3.063 seções nesta situação · critério: votação em urna de contingência ou de reserva (não a original da seção)

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: a votação terminou numa urna de reserva, isto é, não na urna original preparada para a seção. No estado, só 0,7% das seções terminaram assim. A troca de urna é um procedimento previsto, mas é um momento operacional sensível, em que a presença de fiscal (lacres, ata, BU) faz diferença.

Causas legítimas possíveis: defeito técnico da urna original, falta de energia, problema no teclado ou na impressora — situações previstas pela Justiça Eleitoral, com procedimento próprio.

Exemplo 12 — Abstenção muito abaixo dos pares (A6)

BA · SENHOR DO BONFIM · zona 0045 · seção 0322 · local 1937 - ESCOLA MUNICIPAL DE PEREIROS · 116 eleitores aptos · nota 84,42 (ALTO; 5ª no estado)

  • abstenção: 2,6% · Mediana dos pares: 18,1% (mesma UF e porte)

No país: 5.351 seções nesta situação · critério: abstenção mais de 2 desvios-padrão abaixo das seções semelhantes

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: a abstenção foi de 2,6%, contra 18,1% nas seções da mesma UF e porte (desvio padronizado z = -3,06, um dos menores do país). Comparecimento muito acima do esperado é um dos padrões que a fiscalização acompanha.

Causas legítimas possíveis: comunidade pequena e engajada, cadastro eleitoral atualizado (sem eleitores falecidos ou mudados), transporte organizado pelo poder público no dia da eleição.

Exemplo 13 — Seção no exterior

ZZ · ARGEL · zona 0001 · seção 0006 · local 1015 - EMBAIXADA DO BRASIL EM ARGEL · 48 eleitores aptos · nota 88,74 (ALTO; 1ª no estado)

  • eleitores aptos: 48 · Mediana dos pares: 772 (mesma UF)
  • abstenção: 35,4% · Mediana dos pares: 58,7% (mesma UF e porte)

No país: 1.309 seções nesta situação · critério: seção no exterior

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: no exterior, as seções são pequenas (esta tem 48 eleitores aptos), quase sempre únicas na cidade e distantes umas das outras, e várias votaram em urna de contingência sem log disponível na base. Por isso a nota se apoia só nos indicadores estruturais (A1, A2, A3, A5 e A6). A abstenção foi de 35,4%, contra 58,7% nos pares.

Causas legítimas possíveis: é a realidade normal da votação no exterior: poucos eleitores por cidade, em embaixadas e consulados.

Exemplo 14 — Vários sinais ao mesmo tempo (a maior nota do país)

MT · CONFRESA · zona 0028 · seção 0158 · local 1120 - ESCOLA ESTADUAL TAPI'ITAWA · 133 eleitores aptos · nota 90,74 (ALTO; 1ª no estado)

  • eleitores aptos: 133 · Mediana dos pares: 330 (mesma UF)
  • distância ao local de votação mais próximo: 16,4 km · Mediana dos pares: 0,62 km (mesma UF)
  • liberados pelo mesário após falha da digital: 11,7% · Mediana dos pares: 4,2% (mesma UF e porte)
  • habilitados sem biometria (log): 24,2% · Mediana dos pares: 10,8% (mesma UF e porte)
  • intervenções administrativas por 100 habilitados: 11,7 · Mediana dos pares: 1,6 (mesma UF e porte)
  • abstenção: 9,8% · Mediana dos pares: 21,4% (mesma UF e porte)

No país: 12.253 seções nesta situação · critério: 3 ou mais indicadores, ao mesmo tempo, entre os 5% mais altos (percentil ≥ 95)

Por que eleva a prioridade e causas legítimas possíveis

Por que eleva a prioridade: a nota alta não vem de um indicador isolado, mas da soma de vários: seção pequena, a 16,4 km do local de votação mais próximo, abstenção abaixo dos pares e, no log, 14 dos 120 eleitores liberados pelo mesário após falha da digital e 14 intervenções administrativas (11,7 por 100 habilitados; pares: 1,6). Os percentis da seção (0 = menos vulnerável, 1 = mais) foram: A1 0,99 · A2 0,94 · A3 0,93 · A4 0,92 · A5 0,00 · A6 0,99 · B1 0,99 · B2 0,89 · B3 0,90 · B4 0,98. É o perfil em que um fiscal acompanhando do início ao fim faz mais diferença.

Causas legítimas possíveis: cada característica, sozinha, tem explicação comum — comunidade pequena e distante, digitais desgastadas pelo trabalho manual, eleitorado engajado. É a combinação que justifica a prioridade, não uma suspeita.

Característica compartilhada não é irregularidade: o número “no país” mostra quão comum é o sinal, não quantas seções têm problema.

Os exemplos completos, com tabelas, estão na seção 7 do relatório em PDF (no idioma escolhido).

4. Mapa das seções prioritárias

Seção opcional, para quem quiser ver a distribuição no território

Cada ponto do mapa é uma seção eleitoral da faixa escolhida. A cor indica apenas a faixa de prioridade de fiscalização — azul-escuro para ALTO, azul-médio para MÉDIO. Onde não há pontos, não há seções daquela faixa.

O que foi feito, em poucas palavras: para cada seção, medimos o quanto ela é vulnerável do ponto de vista estrutural e operacional — tamanho, isolamento, uso da biometria e sinais registrados pela própria urna —, sempre a partir de dados públicos do TSE. Em seguida, as seções de cada estado foram ordenadas por essa nota: as 5% de nota mais alta formam a faixa ALTO e as 15% seguintes, a faixa MÉDIO. O mapa mostra onde essas seções estão.

Como ler: como as faixas são definidas dentro de cada estado, todos os estados têm seções prioritárias, e os pontos se adensam onde há mais seções — nas capitais e regiões metropolitanas. A visão nacional é, portanto, um panorama; para orientar a fiscalização, escolha um estado.

O mapa não usa candidato, partido nem resultado de votação. Uma seção prioritária não é indício de irregularidade: indica apenas onde a presença de fiscais tende a fazer mais diferença.

Faixa
—seções no recorte
— na faixa ALTO
— na faixa MÉDIO
— na faixa BAIXO
—municípios com ao menos uma seção ALTO
—nota mediana (0 a 100)
—seções no exterior (fora do mapa)
Brasil (visão nacional) — seções da faixa ALTO
ALTO
Mapa do Brasil com um ponto por seção da faixa ALTO.
Cada ponto é uma seção; em “ALTO + MÉDIO”, os pontos ALTO ficam por cima. Fonte: dados públicos do TSE — 1º turno de 4 de outubro de 2026. Divisas estaduais: IBGE.

5. Como usar os CSVs

  • Formato: padrão internacional RFC 4180 — campos separados por vírgula (,), números com ponto decimal (ex.: 70.54), codificação UTF-8 e textos que contêm vírgula entre aspas. É lido corretamente por Excel, Google Planilhas, LibreOffice, R e Python, em qualquer idioma.
  • Excel: use Dados → De Texto/CSV, escolha a origem 65001: Unicode (UTF-8) e o delimitador Vírgula. Se os números aparecerem como texto, em Transformar Dados ajuste a localidade para Inglês (Estados Unidos), que usa o ponto decimal. Os códigos (município, zona, seção, local) têm zeros à esquerda: mantenha essas colunas como texto.
  • Google Planilhas: Arquivo → Importar → Fazer upload, com separador Detectar automaticamente ou Vírgula. A base nacional é grande demais para o Google Planilhas; nesse caso, use os arquivos por estado.
  • R e Python: a leitura padrão já funciona — pandas.read_csv(arquivo, dtype={"municipio_cod": str, "zona": str, "secao": str, "local_votacao": str}) ou readr::read_csv(arquivo).
  • Ordem das linhas: estado → município → faixa → ranking.

Colunas principais

nota_0_100
Nota de prioridade de fiscalização da seção, de 0 a 100 (maior = mais prioridade).
faixa
ALTO (5% de maior nota no estado), MÉDIO (os 15% seguintes) ou BAIXO (o restante).
rank_no_municipio
Posição da seção no seu município (1 = maior prioridade).
rank_na_uf
Posição da seção no estado inteiro (1 = maior prioridade).

As demais colunas (indicadores A1–A6 e B1–B4 e os dados de cada seção) estão explicadas no relatório em PDF.

6. Downloads complementares

Para quem deseja trabalhar diretamente com os dados: a base nacional, o pacote completo e os arquivos de cada estado.

Base nacional (CSV único)

Todas as seções do país num só arquivo. É um arquivo grande, por isso vai compactado em .zip.

ZIP com 1 CSV · descompactado: 150,8 MB · ZIP: 37,4 MB
Baixar base nacional 6f5100642584e54909af709011a066a7e7cf6ad1782bc27bebe9aaae808b29cb

Baixar tudo (.zip)

Num só pacote: o relatório e o guia em PDF nos três idiomas (português, espanhol e inglês), o LEIA-ME, os 28 CSVs por estado (que, juntos, têm as mesmas seções da base nacional) e os 84 PDFs por estado (28 estados nos três idiomas).

ZIP · 71,2 MB
Baixar pacote completo 7de7dedcca95aaac561a9bf287fd012d4b7a6207befea77bb3e8a5e810fdb7a8

Dados por estado — em duas versões (PDF e CSV)

Cada estado tem duas versões, que se complementam. O PDF é um anexo de leitura fácil, para consulta e impressão: traz só as seções das faixas ALTO e MÉDIO, em ordem decrescente de nota, com o cenário de vulnerabilidade predominante de cada seção, e é baixado no idioma escolhido nesta página. O CSV é a versão completa: todas as seções do estado, todos os indicadores, a nota (0–100), a faixa (ALTO/MÉDIO/BAIXO) e o ranking.

Como conferir a integridade dos arquivos (SHA-256)

O código SHA-256 ao lado de cada botão é a “impressão digital” do arquivo: se um único caractere mudar, o código muda. Para conferir no Windows, abra o PowerShell na pasta do arquivo e digite Get-FileHash nome_do_arquivo; no macOS ou Linux, shasum -a 256 nome_do_arquivo.

Lista completa dos códigos: SHA256SUMS.txt. SHA-256 do CSV de dentro da base nacional: 284f8331a1b90b40a207ad69991ed6876b3f5054ef82bca0c67dee6aed0e031f. Veja também o LEIA-ME.txt.

Equipe

Elaborado de forma independente, sem vínculo com partidos, candidaturas ou com o TSE, a partir de arquivos públicos do TSE. Em ordem alfabética:

Contato

Comentários, dúvidas e revisões críticas são bem-vindos: ajudam a aprimorar o trabalho. Escreva para

contato [arroba] auditoria-eleicoes-2026 [ponto] org